Gabriel Rossi bate-papo com Seth Godin sobre mercado financeiro e internet

Seth Godin - Gabriel Rossi

Em 2008, Gabriel Rossi conversou com o escritor e empreendedor Seth Godin sobre conceitos de seus livros, marketing digital e o mercado financeiro. A entrevista saiu em uma revista segmentada. Confira:


Promessas feitas por uma marca são mais implícitas do que explícitas

GABRIEL ROSSI: Você tem um livro chamado “Meatball Sundae”.O que é um sundae de almôndega?

SETH GODIN: Um sundae de almôndega é o resultado infeliz da união de duas boas idéias. As almôndegas formam um alicerce, as coisas que precisamos e que, às vezes, queremos. Falo das commodities nas quais muitos negócios são focados e embasados.

A parte de cima deste sundae (calda e afins) é o Novo Marketing. São as redes sociais, seus blogs e comunidades virtuais, Google e todas essas coisas atraentes com as quais as pessoas ficam empolgadas.

O desafio que as organizações enfrentam: elas tentam unir os dois. Eles tentam introduzir o Novo Marketing dentro de um modelo velho e enferrujado e, inevitavelmente, terminam apenas com um site medíocre.

O livro fala sobre 14 tendências que estão mudando nosso mundo, e a respeito de como as organizações podem se beneficiar ou machucar com essas tendências.

GR: O que mudou desde 1964 e o que significa ser um profissional de Marketing hoje?

SG: Em 1964, Marketing era a mesma coisa que propaganda. Quanto mais propaganda você fazia, mais você crescia. Hoje, claro, propaganda é muito menos efetiva, e Marketing hoje se embasa em criar histórias sobre produtos e serviços que as pessoas escolhem falar sobre, via os infinitos canais de comunicação disponíveis hoje em dia.

GR: Testemunhamos uma gradual inversão de poder das instituições para os consumidores. Os profissionais de Marketing e Propaganda estão realmente perdendo o controle ou apenas estamos nos esforçando para entender como sair de uma arte puramente efêmera indo para uma perspectiva muito mais cientifica da nossa atuação? Quero dizer, precisamos nos disciplinar e até mesmo nos reinventar para mensurar nossas ações nas mídias sociais, já que os resultados são muito mais apurados e concretos. Porém, nós ainda fazemos os produtos, escrevemos a mensagem, escolhemos o canal midiático e escolhemos os colaboradores. Ainda temos o poder de reter a atenção das pessoas?

SG: Os consumidores são o único canal de mídia que restou. Eles ouvem ou experimentam algo, e eles espalham a idéia. Porém eles MUDAM isto. Não vocês, eles! Eles mudam a história de acordo com suas experiências.

Tudo o que vocês podem fazer é criar uma história que tenha potencial de se espalhar.

GR: Qual seria seu conselho para aqueles colegas que ainda acreditam cegamente em formas tradicionais de propaganda?

SG: Torne-se um veterinário.

GR: Os clientes se importam com as marcas e suas promessas?

SG: Uma marca é um atalho para as histórias e memórias que nós temos de um produto ou serviço.

E as promessas feitas por uma marca são muito mais implícitas do que explícitas. Nessas nós já desacreditamos!

GR: “Meatball Sundae” sugere que antes de entrar no jogo do Novo Marketing as organizações deveriam mudar drasticamente seus alicerces, entrando em outra perspectiva de pensamento. Você poderia me dar exemplos de instituições financeiras que tiveram a coragem de mudar radicalmente para que pudessem se adaptar aos novos desafios de um mundo onde as redes sociais ganham cada vez mais força?

SG: Por favor, lembre-se: a Internet não foi feita para atender o que você é hoje. TV, rádio e outras formas de mídia de massa apenas existem por uma única razão: vender propaganda. Vender suas coisas. A Internet não é assim, ela existe por outras razões.

Paypal é um bom exemplo de uma instituição financeira que acreditou na Net, ao invés de ir pelo velho caminho.

GR: Quais são as grandes oportunidades e riscos para as instituições financeiras pretendendo atuar no ambiente on-line?

SG: O maior desafio é dividir o controle, confiar, adotar a mídia, ser sério sobre as mudanças que pretendem fazer, não se resumindo à maneira que falam.

GR: Você é o autor do livro “Marketing de Permissão”, que em minha opinião é a obra de maior impacto para o Marketing Direto, de todos os tempos. De fato, a idéia central cai como uma luva em relação à situação atual do crédito consignado aqui no Brasil. Existe hoje uma corrida desesperada para a construção de mailing nesse mercado. Como aplicar o conceito de Marketing de permissão apropriadamente?

SG: Spam não funciona! Pelo menos no longo prazo. As empresas de verdade e corajosas, as grandes empresas, mandam uma nota antecipada, personificada e relevante, de maneira alguma enviam spam. Essa alternativa em curto prazo lhe colocará em problemas toda hora.

GR: Qual a real conseqüência da prática de envio de spam?

SG: O que eles não percebem é que conseguindo uma resposta de 1% ao utilizar um mailing não autorizado, 99% está sendo treinado ou para lhe ignorar ou lhe ODIAR. ODIAR você! Uau! Ódio da sua marca. Essa é a conseqüência.

GR: Para encerrar, qual a primeiracoisa que Seth Godin faria se ele fosse contratado para trabalhar em uma dessas instituições financeiras brasileiras, que encaram o Marketing como nada mais que uma caixa de ferramentas, e que acreditam desesperadamente na mídia de massa como estratégia de comunicação?

SG: Pararia com Propaganda. Ficaria um mês investindo em novos produtos e serviços. Acharia uma tribo de entusiastas que amassem nossas novas idéias e projetos. Começaria com Outbound Marketing.


Confira as dicas dos livros do Seth Godin: Tribes e Meatball Sundae

Equipe Gabriel Rossi Consultoria

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